“Tadala é vida?”: febre perigosa nas festas acende alerta de médicos sobre riscos à saúde sexual masculina

Refrões como “Tadala é vida, tadala é massa…” têm tomado conta dos palcos de arrocha e do São João nordestino. Mas o que parece brincadeira inofensiva com rima e ritmo esconde uma nova e preocupante realidade: o uso descontrolado da tadalafila, medicamento indicado exclusivamente para o tratamento da disfunção erétil, está sendo banalizado e distribuído em eventos públicos como se fosse brinde de festa.

Durante os festejos juninos na Bahia, artistas como Wesley Safadão e Thiago Aquino chamaram atenção ao distribuir cartelas do medicamento em pleno palco, em atos que viralizaram nas redes sociais. A moda chegou também às letras: músicas como a de Tierry e Gabriel Gava cantam os supostos “benefícios” do remédio com tom de humor e insinuações sexuais.

Mas a ciência não canta essa mesma melodia.

“A tadalafila não é um doce, não é energético e definitivamente não é brincadeira. O uso sem orientação médica pode causar complicações sérias, como queda de pressão, dores de cabeça intensas, palpitações e até problemas cardíacos graves”, alerta o Dr. Flavio Machado, médico em saúde sexual masculina e diretor clínico do Instituto Homem.

Entre a diversão e o perigo

Para Dr. Flavio, a exposição da tadalafila em shows como forma de “empoderamento masculino” cria uma falsa percepção de segurança e estimula jovens e adultos a usarem o medicamento sem qualquer controle. “Estamos diante de um movimento que está transformando um remédio sério em artigo de performance, o que é extremamente irresponsável e perigoso.”

Ele também reforça que a substância não aumenta o desejo sexual nem tem relação com virilidade ou autoestima. “A disfunção erétil tem causas que vão muito além do físico, e automedicar-se por vaidade ou pressão social é um atalho para frustrações maiores.”

Tadalafila na academia: outro risco silencioso

O uso do medicamento também vem sendo relatado em academias de ginástica, com a falsa crença de que ele melhora o desempenho físico. Dr. Flavio rebate com veemência:

“Não existe qualquer evidência científica de que a tadalafila melhore performance esportiva. Esse tipo de uso só expõe o organismo a riscos desnecessários e alimenta um ciclo de insegurança e dependência química entre jovens.”

Apelo aos organizadores de eventos e artistas

Diante da crescente normalização da substância em ambientes festivos, o Dr. Flavio faz um apelo direto:

“Eventos culturais não podem ser palco para propagação de uso indevido de medicamentos. Os organizadores precisam assumir responsabilidade e proibir ações que colocam a saúde do público em risco.”

E conclui: “A masculinidade não se mede por uma cartela de comprimidos. Ela se constrói com informação, cuidado e responsabilidade.”

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